Agenda ESG
De acordo com a pesquisa Sustentabilidade & Opinião Pública, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o interesse dos brasileiros por produtos sustentáveis cresceu nos últimos dois anos, chegando a 76% dos entrevistados em 2024. O resultado da indústria, contudo, diverge de levantamentos feitos no ponto de venda. O estudo Impacto ESG no Varejo, realizado pela Mosaiclab, empresa de inteligência de mercado, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento do Varejo, revela que caiu de 50%, em 2023, para 43%, em 2024, a importância dos fatores ambientais, sociais e de governança no processo de decisão de compra.
A importância do consumo consciente e sustentável se mantém elevada para 88% dos consumidores, porém, a intenção não se traduz nas escolhas práticas. Os consumidores enfrentam desafios significativos, como barreiras econômicas, culturais e educacionais, que dificultam a adoção de escolhas mais sustentáveis de maneira consistente — afirma Karen Cavalcanti, sócia-diretora da Mosaiclab. Segundo ela, para avançar nessa agenda é preciso que as ações sejam estruturadas em conjunto por sociedade, governo e mercado.
Para Marcus Nakagawa, coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental, não se pode mais dizer que se trata meramente de consumo de nicho. Estamos numa curva ascendente, embora ainda exista um hiato entre a intenção e a compra efetiva.
Os desafios para mudar essa chave, segundo ele, passam pela educação do consumidor, que precisa entender o real valor embutido nos produtos; ganho de escala, caso contrário fica difícil ampliar o espaço na gôndola; e pela mudança de visão das lideranças empresariais, que precisam enxergar a sustentabilidade não como ação de marketing, mas como um caminho economicamente viável. Isso sem falar na necessidade de de aumentar os investimentos em comunicação, pois o consumidor responde ao que lhe provoca impacto.