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Consultor Jurídico (ConJur)05 de julho de 2026

71% dos trabalhadores usariam VR e VA para fins não alimentares

por admin

Um eventual afrouxamento dos critérios de credenciamento de estabelecimentos comerciais no âmbito do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) mais que dobraria o uso do vale-refeição (VR) e do vale-alimentação (VA) para fins não alimentares. É o que aponta uma pesquisa conduzida pela Mosaiclab, empresa de pesquisa e inteligência de mercado especializada em comportamento do consumidor, varejo e sustentabilidade, encomendada pela Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) diante das novas regras estabelecidas pelo Decreto 12.712/2025.

Atualmente, 67% dos usuários utilizam os benefícios exclusivamente para alimentação e 33% dividem o uso dos vales entre alimentação e outras despesas. Com a maior flexibilidade prevista pelas novas regras, apenas 29% manteriam o uso exclusivo para alimentação, enquanto 71% dos beneficiários passariam a utilizar os vales tanto para alimentos quanto para outros produtos — sendo que 23% declararam que usariam os benefícios exclusivamente para outras finalidades.

A pesquisa ouviu 718 trabalhadores de todas as regiões do país que recebem VR e/ou VA, comparando o cenário atual de uso dos benefícios a um cenário projetado a partir da redução da exigência de critérios no credenciamento de estabelecimentos.

Segundo Daniela Soderini, gerente sênior de pesquisa da Mosaiclab, o resultado demonstra de forma clara que o comportamento do trabalhador responde diretamente ao desenho do sistema. Ela destaca que, quando o benefício deixa de ser aceito exclusivamente em estabelecimentos voltados à alimentação, o uso exclusivo para essa finalidade cai de maneira abrupta, de 67% para 29%.

Na prática, menos da metade dos trabalhadores manteria o benefício alinhado à sua função original, transformando o VR e o VA em meios de pagamento genéricos que disputariam espaço com despesas sem relação com a alimentação adequada.

Entre as finalidades não alimentares mais citadas na pesquisa estão as compras pessoais (50%), o repasse para venda (30%), bebidas alcoólicas e cigarro (13%), serviços de streaming (12%) e jogos e apostas online (7%).

Fonte: https://www.conjur.com.br/2026-fev-24/pesquisa-diz-que-71-dos-trabalhadores-usariam-vr-e-va-para-fins-nao-alimentares/